Apr 14

A exposição Controvérsias-Fotos com Histórias, na Biblioteca Nacional da França, em Paris, apresenta 80 fotografias que causaram polêmica no último século ou chegaram a ser proibidas. Algumas delas também foram objeto de ações judiciais.

Oliviero Toscani (Kissing-nun, 1992)/Benetton Group
Beijando a freira, do fotógrafo italiano Oliviero Toscani
Yevgueni Khaldei/ CORBIS
A Bandeira Vermelha sobre o Reischtag, de Yevgueni Khaldei
Buzz Aldrin on the Moon/Nasa
Da Nasa: Buzz Aldrin on the Moon, foto de 20 de julho de 1969

    Entre as várias imagens associadas a fatos históricos na exposição, no prédio mais antigo da Biblioteca Nacional da França, a unidade Richelieu, está a foto da menina colombiana Oymara Sánchez, que se tornou símbolo do drama da erupção do vulcão Nevado del Ruiz, em 1986, que matou 24 mil pessoas.

    Acriança, ferida e com as pernas presas, ficou três dias em agonia e morreu diante das câmeras. O fotógrafo Franck Fournier ganhou, com a imagem da garota entre a vida e a morte, o World Press Photo, no mesmo ano.

    Outro destaque da mostra é a foto Beijando a freira, do fotógrafo italiano Oliviero Toscani, criador de várias imagens usadas em campanhas publicitárias da Benetton.

    A foto chegou a ser proibida na Itália e na França após protestos da igreja.

    Um dos curadores da exposição é o suíço Christian Pirker, que foi advogado da Benetton no processo movido contra o anúncio que mostrava um homem morrendo de Aids no hospital.

    Pirker defende a natureza polêmica das fotografias mas rejeita a pecha -associada a algumas imagens – de que elas teriam buscado o “escândalo”.

    “Elas suscitam opiniões divergentes, que podem ser argumentadas de acordo como ponto de vista. Um escândalo tem, normalmente, uma explicação unilateral e gratuita”, diz ele.

    Manipulação
    Entre as fotografias históricas estão várias que estiveram envolvidas em acusações de manipulação.

    É o caso da foto A bandeira vermelha sobre o Reichstag, do fotógrafo de guerra Evgueni Khaldei.

    A foto, considerada uma imagem emblemática do final da Segunda Guerra, mostra um soldado levantando a bandeira soviética no telhado em ruínas do parlamento alemão, em Berlim.

    Mas a imagem original,apresentada na exposição ao lado da imagem retocada, mostra que o soldado que segurava o militar que agitava a bandeira estava usando dois relógios, um em cada braço.

    Como na época, os soldados russos eram acusados de fazer pilhagens, o fotógrafo recebeu a ordem de”apagar” da foto o segundo relógio, que estava no braço direito do militar.

    Já bem mais grave é a acusação de fraude feita contra uma das imagens mais famosas da era moderna, a foto do astronauta americano Neal Armstrong dando o primeiro passo sobre a Lua.

    Desde 1969, surgiram acusações de que ela seria falsa.

    A polêmica reapareceu após dois documentários realizados no final dos anos 90, segundo os quais a Nasa teria enganado o mundo todo ao simular as expedições lunares em um estúdio ou um deserto.

    De acordo com os dois documentários, o cineasta Stanley Kubrick teria realizado as imagens do homem sobre a lua e recebido, em troca, câmeras sofisticadas para fazer filmagens noturnas.

    Controvérsias – Fotos com Histórias também expõe a última imagem da princesa Diana viva, feita por um paparazzi.

    A exposição revela que os “paparazzi” não são um fenômeno recente. Em1898, dois fotógrafos conseguiram entrar na residência do chanceler alemão Otto von Bismarck, que havia falecido, e tiraram fotos do morto.

    A família foi à Justiça e consegui confiscar as imagens. Os fotógrafos foram condenados à prisão e, somente em 1952, uma revista alemã publicou as fotografias.

    A exposição fica em cartaz até o dia 24 de maio em Paris.

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