Exposição 1961 – A Arte Argentina na Encruzilhada: Informalismo e Nova Figuração na GAS
Galeria de Arte do Sesi apresenta mostra de arte argentina aberta à visitação pública gratuita a partir de 21 de março. Entrada Franca
Entre 21 de março e 14 de junho, um acervo de 53 peças – telas, colagens e esculturas – produzidas de 1959 a 1962, nove fotos e 16 catálogos de exposições do mesmo período, estará exposto gratuitamente na Galeria de Arte do Sesi.
Resultado de parceria entre a Associação de Amigos da Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museo Nacional de Bellas Artes – Buenos Aires, Argentina e o Sesi-SP para a viabilização do projeto, a mostra1961 – A Arte Argentina na Encruzilhada: Informalismo e Nova Figuração reúne importantes obras de acervos particulares de colecionadores argentinos.
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O acervo, composto por produções de 25 artistas do movimento informalista, conta com nomes de artistas argentinos com intensa e influente produção no período, como Keneth Kemble, Luis Wells, Clorindo Testa, Antonio Berni, Nicolas Garcia Uriburu, Luis Felipe Noé, Ernesto Deira, Antonio Segui e Jorge de La Vega.
A mostra, que tem curadoria do crítico de arte portenho Roberto Amigo, está disposta em seis núcleos de obras: Abstrato, Matéria, Transição, Barbárie, Inferno e Síntese. Além destes, haverá mais dois módulos distintos: Destruição, em homenagem ao movimento homônimo e que apresentará nove fotos de bastidores da produção artística dos anos 60, e 1961 e Documentos, com 16 catálogos daquela época, de exposições em cartaz na Argentina e no Brasil.
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A expografia do arquiteto Haron Cohen apresentará alguns trabalhos em destaque na mostra: as telas Tiburón e ¿Por qué me temes tanto si ni siquiera soy humano? (ambas de Keneth Kemble), Pintura Negra (Clorindo Testa), Paisaje en formación (Nicolas Garcia Uriburu), Pintura (Marta Minujin), El General Quiroga va en coche al muere (Luis Felipe Noé), El milagro (Jorge de La Veja), Serie Campos de concentración (Ernesto Deira), El peso de Felicitas (Antonio Segui) e El cosmonauta saluda a Juanito Laguna a su paso por el bañado de Flores (Antonio Berni), além da escultura Objeto de cobre y maderas viejas (Luis Wells).
Encruzilhada visual
Os artistas da época, a bordo dos poucos convencionais e libertários anos 60, perceberam rapidamente que precisavam de caminhos mais contundentes. Com suas pinturas, eles propunham restaurar a figuração após duas décadas de arte abstrata; mas, abordando a figura desde outro ângulo, longe da realidade, numa criação bastante original.
Para o curador, a exposição questiona o instante polêmico e modernizador da arte argentina no ano de 1961, centrando-se nas propostas do Informalismo e da Nova Figuração como uma encruzilhada visual da arte portenha naquele momento .
“Ela percorre a tensão entre o existencialismo informalista e a ordem do caos, o distanciamento do racional e a eleição da matéria para descrever a mutação e permanência dos processos artísticos em uma sociedade marcada pela violência, mas também, por uma singular força criativa”, conclui Amigo.
O Movimento Informalista segundo o curador
No final da década de 1950, o Movimento Informalista argentino teve bastante impacto, alcançando em 1961 uma extraordinária maturidade formal em um amplo registro que transitava desde a pintura gestual, assemblage , até a pintura matérica e o experimento com diversos materiais artísticos.
O Movimento Informalista iria resultar no decorativismo, ainda que seus principais representantes radicalizassem a materialidade da obra (Greco, Kemble, Wells, Paparella). Enquanto jovens artistas transitavam pela abstração informalista como aprendizagem em direção a outras práticas, consolidados artistas abstratos – de diferentes vertentes – incorporavam a matéria, o grafismo e o gestual em suas novas obras no início de década.
Um grupo de artistas, encabeçados por Keneth Kemble, radicaliza a experiência informalista com a posição de Arte Destrutiva , que desenvolve, em um espaço, os conceitos sobre o processo criativo e metaforiza a situação da sociedade contemporânea.
Em 1961, um jovem artista, Luis F. Noé, expôs um conjunto de pinturas que seriam emblemáticas na mudança dos tempos: A Série Federal. Noé explora a densidade da camada pictórica, a violência cromática, as figuras fantasmagóricas que surgem das manchas, superando os limites entre a figuração e a abstração.
No final daquele ano realizou-se a exposição A Outra Figuração , cujo núcleo principal era integrado por Ernesto Deira, Rômulo Macció, Luis F. Noé e Jorge de La Vega. Nela, o retorno da figura humana na arte de vanguarda superava os limites entre a abstração e a figuração, cuja polêmica ainda marcava a discussão estética na época da Guerra Fria.
Além disso, expunha-se um relato visual do conflito entre a individualidade do artista como sujeito criador, fortemente expressa na busca de estéticas pessoais e a do homem compelido a transformar a realidade de seu tempo a partir de sua prática artística.
Serviço:
Exposição: 1961 – A Arte Argentina na Encruzilhada: Informalismo e Nova Figuração
Local: Galeria de Arte do Sesi – Av. Paulista, 1313 – Metrô Trianon-Masp
Datas e horários: de 21 de março a 14 de junho – às segundas-feiras, das 11h às 20h, de terça-feira a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos, das 10h às 19h.
Informações: tels. (11) 3146-7405 / 7406
Agendamento de grupos: de segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14 às 17h, pelo telefone (11) 3146-7396, com Leni
Entrada franca
Evelyne Lorenzetti, Agência Indusnet Fiesp









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